
No ecossistema competitivo do ecommerce, a credibilidade constitui a moeda de troca mais relevante. Por isso, no setor dos brindes publicitários, onde a personalização e os detalhes representam fatores fundamentais para fortalecer a ligação com o consumidor, essa confiança começa muito antes de o produto chegar ao destino: começa no servidor.
Da mesma forma que na Gift Campaign selecionamos meticulosamente a gramagem de um saco de algodão ou as técnicas de personalização mais adequadas para cada produto, escolher o “escudo digital” certo para o nosso website é uma decisão de qualidade. Um ecommerce seguro não é apenas aquele que vende, mas sim aquele que protege o mais importante que um cliente lhe entrega: a sua informação.
· A realidade das ameaças: o que dizem os dados
Portugal está mais digitalizado e mais consciente dos riscos, mas a maturidade em cibersegurança ainda não acompanha totalmente a exposição. Não estamos perante uma ameaça invisível. Segundo o Relatório de Cibersegurança em Portugal 2025, realizado pelo CNCS (Centro Nacional de Cibersegurança), as empresas melhoraram, mas ainda têm baixa maturidade em segurança: em 2024, 95,1% das pequenas empresas já tinham adotado pelo menos uma medida de cibersegurança, mas apenas 36% das empresas portuguesas usavam autenticação com pelo menos dois fatores, abaixo da média da UE.
Muitas vezes pensa-se que os ciberataques afetam apenas grandes corporações, mas a realidade é diferente. Segundo Daniel Barreiro, programador web da Gift Campaign com experiência em cibersegurança, a ameaça mais frequente e silenciosa é o roubo de dados de clientes. “Falamos de informação sensível que, uma vez roubada, acaba por ser vendida em mercados negros da dark web”, explica.
No entanto, o perigo não reside apenas no roubo de informação. Os ecommerce enfrentam também tentativas de bloqueio de acesso ou ataques de negação de serviço (DDoS). Estes ataques procuram colapsar o servidor para derrubar o website, interrompendo as vendas e gerando uma imagem de instabilidade que pode ser fatal para um negócio online.
· Os pilares de um ecommerce seguro
Para construir uma plataforma sólida, é necessário trabalhar sobre três pilares fundamentais que garantam a integridade do domínio:
- Certificados SSL e encriptação: o protocolo HTTPS deixou de ser opcional. É a garantia de que a transmissão de dados entre o navegador do utilizador e o servidor é privada. Sem ele, qualquer atacante poderia intercetar números de cartão ou palavras-passe.
- Gateways de pagamento e conformidade PCI: O momento do checkout é o mais vulnerável. Delegar os pagamentos em gateways compatíveis com os padrões PCI-DSS garante que os dados bancários nunca sejam armazenados de forma insegura no sistema.
- Proteção de dados e RGPD: para além das sanções económicas, o cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados é uma declaração de princípios. Significa que o ecommerce trata a informação com o rigor necessário, implementando medidas de segurança por defeito e desde a fase de conceção.

· Ameaças comuns e exemplos reais do nosso próprio ecommerce
No dia a dia de um ecommerce, a segurança não é um estado estático, mas sim um processo de vigilância constante. Como refere Barreiro, mesmo empresas com infraestruturas robustas são alvo de ataques recorrentes. Compreender como estas ameaças funcionam é o primeiro passo para as neutralizar.
Phishing
Um dos desafios mais persistentes é o phishing. Trata-se de uma técnica de engenharia social em que os atacantes enviam emails com links fraudulentos ou se fazem passar por figuras de autoridade. Tal como explica o nosso especialista, na Gift Campaign já gerimos tentativas de roubo de dados em que os atacantes se faziam passar por colegas de trabalho para solicitar, por exemplo, alterações ao número de IBAN de um fornecedor. Este tipo de fraude, conhecido como “fraude do CEO” ou “man-in-the-middle”, procura intercetar transações económicas legítimas através do engano.
Injeções de código
Para além do engano ao utilizador, existem ataques direcionados diretamente ao software da loja. As injeções de código, como SQL Injection ou XSS, ocorrem quando os atacantes exploram falhas de segurança em formulários ou ficheiros do website para introduzir comandos maliciosos. “No nosso caso, detetámos tentativas de consulta às nossas bases de dados para extrair ou eliminar conteúdos, e até modificações de ficheiros em utilização para injetar código malicioso aproveitando vulnerabilidades conhecidas”, alerta Daniel.
Outras ameaças críticas para ecommerce
Além dos casos vividos na Gift Campaign, existem outros riscos que qualquer gestor de loja online deve monitorizar:
- Ataques de ransomware: talvez a ameaça mais temida. Consiste na encriptação de todos os ficheiros do servidor por parte de um atacante, que depois exige um resgate financeiro, normalmente em criptomoedas, para libertar a informação.
- E-skimming (Magecart): um ataque altamente sofisticado em que os cibercriminosos injetam um script invisível na página de pagamento. Esse código “captura” os dados do cartão do cliente em tempo real enquanto a compra é concluída, sem que o utilizador ou a loja percebam qualquer comportamento estranho.
- Ataques de força bruta: bots automatizados tentam milhares de combinações de utilizador e palavra-passe por segundo para obter acesso ao painel de administração (Backoffice) do website.
- Ataques DDoS (negação de serviço): não procuram roubar dados, mas sim colapsar o servidor através do envio massivo de tráfego simultâneo. O resultado é um website fora de serviço, provocando perdas económicas diretas e uma crise de reputação.

· O que valoriza o cliente hoje em dia?
O comprador B2B atual é sofisticado. Não procura apenas o melhor preço e as melhores condições nos brindes empresariais, mas também a segurança de que a encomenda será entregue e de que os seus dados não serão utilizados de forma indevida. Por outras palavras, o ponto-chave é a certeza de não ser enganado com produtos inexistentes ou fraudes digitais.
Na Gift Campaign, aplicamos esta visão através de:
- Controlo de acessos: garantimos que apenas o pessoal autorizado tenha acesso aos servidores e bases de dados.
- Deteção precoce: utilizamos ferramentas de monitorização que nos alertam caso apareça algum ficheiro ou processo que não deveria estar presente.
- Atualização constante: manter o software atualizado é a forma mais eficaz de fechar a porta a ataques que exploram falhas antigas.
· Conselhos práticos para proprietários de ecommerce e utilizadores
Para concluir, Daniel Barreiro deixa algumas recomendações básicas que deveriam funcionar como um verdadeiro “manual de sobrevivência” para qualquer pessoa que navegue ou trabalhe na internet:
- Desconfie por defeito: não clique em links de emails suspeitos. Siga sempre o seu instinto: se uma oferta ou pedido parecer “bom demais para ser verdade”, provavelmente trata-se de uma fraude.
- Palavras-passe únicas e fortes: é fundamental utilizar uma palavra-passe diferente para cada serviço. Não reutilize credenciais.
- Utilize um gestor de palavras-passe: “Existem gestores muito bons e gratuitos, mais do que suficientes para uma utilização pessoal comum”, recomenda Daniel. Estas ferramentas não só armazenam as palavras-passe, como também geram combinações praticamente impossíveis de adivinhar.
- Verifique a identidade física: antes de comprar num website desconhecido, procure um número de telefone, uma morada física e avaliações reais. A transparência é a melhor prova de legitimidade.

· Cibersegurança: o ingrediente invisível da confiança do cliente
A cibersegurança é uma corrida de longa distância. Tal como na produção de merchandising procuramos a excelência para que a marca dos nossos clientes brilhe, no ambiente digital trabalhamos para garantir que essa luz não se apaga devido a um incidente de segurança. A proteção de um ecommerce é um investimento em reputação e, acima de tudo, na tranquilidade de quem confia em nós.