
*Imagem gerada com IA. Não é uma fotografia real do evento.
No passado dia 29 de setembro, parte da equipa da Gift Campaign esteve presente em Lisboa num dos roadshows organizados pela FYVAR e pela AIMFAP, duas associações ligadas ao setor dos artigos promocionais.
Para além de conhecer novas coleções, o encontro permitiu-nos falar diretamente com diversos fornecedores e partilhar impressões sobre o que as empresas estão a procurar, que novidades estão a entrar no catálogo e para onde parece estar a evoluir o setor.
Assim, ao longo deste artigo tentaremos dar resposta às seguintes questões: O que está a funcionar atualmente no setor publicitário? As empresas procuram continuamente produtos novos ou continuam a apostar nos clássicos? Que papel está a começar a desempenhar a tecnologia?
No entanto, antes de começar, queremos destacar uma conclusão clara: inovação e tradição não estão necessariamente a competir entre si. Enquanto produtos clássicos como garrafas, canetas, mochilas ou t-shirts continuam a concentrar grande parte do interesse, estão a surgir gadgets tecnológicos com uma utilidade muito concreta que começam a conquistar um espaço importante.
· Os clássicos continuam a funcionar
Num setor em que todas as temporadas surgem novos materiais, formatos e tecnologias, poderia parecer lógico pensar que os produtos tradicionais estão a perder protagonismo.
Contudo, a sensação dos fornecedores apontam na direção oposta. De facto, as garrafas personalizadas, as canetas corporativas, as mochilas com logótipo ou os cadernos continuam a ser categorias fundamentais no merchandising corporativo. Isto não se deve simplesmente a uma questão de tradição, mas também ao facto de serem artigos fáceis de incorporar em múltiplas campanhas e de apresentarem uma utilidade imediata em muitas ocasiões.

Uma garrafa pode ser utilizada num escritório, num ginásio ou durante um evento. Uma caneta tem lugar em praticamente qualquer ambiente profissional. Uma mochila pode acompanhar o destinatário durante anos e uma t-shirt pode funcionar tanto como brinde promocional como peça de vestuário para colaboradores, associações ou eventos.
Além disso, a nossa própria experiência com as encomendas das empresas aponta na mesma direção. Na nossa análise de mais de 3300 encomendas B2B, observamos que categorias como garrafas, escrita, mochilas, sacos, chávenas e cadernos continuam a ter um peso especialmente relevante.
A conclusão parece simples: no merchandising, a novidade nem sempre supera a utilidade.
· O produto conhecido também evolui
O facto de os clássicos continuarem a funcionar não significa que sejam exatamente os mesmos produtos de há dez anos. Algumas das evoluções mais interessantes do setor estão a acontecer precisamente dentro dessas categorias.
As garrafas incorporam cada vez mais isolamento térmico, indicadores de temperatura, materiais reciclados ou novos sistemas de abertura. As mochilas incluem bolsos específicos para dispositivos, proteção RFID ou materiais resistentes à água. E o têxtil oferece cada vez mais gramagens, composições e acabamentos.
Também mudam os materiais, procurando-se soluções mais sustentáveis ou que permitam resultados de personalização mais apelativos. Por exemplo, durante o roadshow, vários fornecedores falaram-nos da crescente presença da madeira de acácia em coleções onde anteriormente predominava o bambu. Pode conhecer um pouco mais sobre esta tendência no nosso artigo focado em comparar e analisar as vantagens de ambos os materiais.
Por conseguinte, mais do que desaparecer, muitos clássicos estão a atualizar-se.
· Os gadgets tecnológicos ganham terreno
No extremo oposto surgem produtos que há poucos anos quase não tinham presença num catálogo promocional.
A tecnologia transformou-se numa das áreas com maior capacidade para introduzir novos formatos. Entre as novidades comentadas pelos fornecedores durante o encontro, destacaram-se especialmente duas famílias: os localizadores inteligentes e as powerbanks com carregamento sem fios ou magnético.
Não é difícil perceber porquê. Ao contrário de alguns gadgets promocionais tradicionais, estes produtos resolvem problemas muito concretos do dia a dia do trabalhador atual.
· Localizadores: o sucesso da temporada
Perder umas chaves, uma mochila, uma mala ou até determinado material de trabalho é uma situação bastante habitual. Os localizadores inteligentes procuram solucionar precisamente esse problema.
Além disso, os modelos atuais podem ligar-se ao smartphone e, dependendo do dispositivo, integrar-se com ecossistemas como o Apple Find My ou o Google Find Hub. Alguns incorporam também alertas sonoros, formato porta-chaves, bateria substituível ou recarga através de USB-C.
Do mesmo modo, sob a perspetiva do merchandising, existe uma caraterística especialmente interessante: são produtos que permanecem junto do utilizador, uma vez que este os costuma colocar em pertences de uso diário.
Um brinde promocional ganha valor quando deixa de ser simplesmente um suporte onde colocar um logótipo e passa a resolver uma necessidade. Um localizador que acompanha todos os dias as chaves de uma pessoa tem muito mais probabilidades de permanecer em utilização do que um artigo escolhido apenas por parecer vistoso ou atraente.
· Powerbanks magnéticos: menos cabos e mais comodidade
Algo semelhante acontece com as baterias externas.
As powerbanks personalizadas fazem parte do merchandising tecnológico há anos, mas também estão a evoluir. Um dos formatos que encontramos cada vez com mais frequência são as baterias externas com carregamento magnético, como este modelo do catálogo da Gift Campaign que, em vez de depender exclusivamente de um cabo, se fixa diretamente a dispositivos compatíveis e permite continuar a utilizar o telemóvel enquanto o carrega.
Este tipo de produto reflete bastante bem para onde parece dirigir-se parte do merchandising tecnológico: menos gadgets criados apenas por serem inovadores e mais acessórios que replicam tecnologias que o consumidor já utiliza na sua vida quotidiana.
· Tecnologia sim, mas com utilidade real
Esta última ideia é provavelmente uma das conclusões mais interessantes que retirámos do encontro.
Nem todos os produtos tecnológicos se transformam automaticamente num bom brinde de empresa. Para funcionar, devem aportar valor. Neste sentido, um localizador ajuda a encontrar um objeto, uma bateria externa proporciona autonomia, um carregador sem fios evita o excesso de cabos e um hub amplia as ligações de um computador. A tecnologia faz sentido quando existe uma necessidade por trás.

Por isso, possivelmente a verdadeira tendência não seja simplesmente oferecer mais tecnologia, mas sim incorporar no merchandising aqueles gadgets que já estão a encontrar uma utilidade clara fora do próprio setor promocional.
· Cortes modernos e cores sóbrias nos têxteis conquistam o dia a dia
No domínio do vestuário promocional, as conversas revelaram uma evolução clara no design e na estética das peças. As coleções têxteis para este ano afastam-se dos cortes promocionais genéricos, apostando em designs modernos e confortáveis, como os cortes oversized e acabamentos unissexo de estilo urbano.
No que respeita às cores, a paleta em destaque abandona os tons estridentes em favor de cores sóbrias e inspiradas na natureza com forte presença de tons terra, verde seco, bege e variações pastel, que facilitam a integração das peças no guarda-roupa do dia a dia. Desta forma, o têxtil corporativo deixa de ser visto apenas como um “uniforme de evento” para se transformar em vestuário que as pessoas realmente gostam e escolhem vestir habitualmente.
· Campanhas de final de ano: a aposta em experiências de unboxing
Paralelamente às tendências tecnológicas e à renovação dos clássicos, o evento deu um destaque inevitável às novidades para a época natalícia.
Com a aproximação do final do ano, os fornecedores apresentaram propostas que combinam o espírito festivo com uma utilidade duradoura. A tendência dominante centra-se em packs de oferta sofisticados conjugando, por exemplo, cadernos de acabamento superior e canetas de metal, a par dos tradicionais calendários do advento e artigos decorativos em materiais sustentáveis. O verdadeiro foco do merchandising natalício mudou: mais do que entregar um objeto, o objetivo é criar uma experiência de unboxing marcante, capaz de transmitir um agradecimento sincero e elevar a perceção de valor da marca junto de clientes e equipas.

· Inovação ou clássicos? Conclusões do Roadshow de outono de 2026
Após falar com diferentes fornecedores durante o encontro, a nossa perceção é que o setor não está a substituir umas categorias por outras, mas sim a ampliar possibilidades.
Os clássicos continuam a funcionar porque resolvem necessidades muito simples: beber, escrever, transportar objetos ou vestir-se. Ao mesmo tempo, surgem novos produtos capazes de cobrir necessidades que há uns anos quase não existiam, como localizar os nossos pertences ou manter os nossos dispositivos permanentemente carregados.
Por isso, quando uma empresa tem de escolher merchandising, não se deve perguntar apenas qual o produto que está na moda. Também lhe será útil fazer estas três perguntas:
- Quem o receber vai realmente utilizá-lo?
- Faz sentido para o contexto em que vai ser entregue?
- Encaixa na perceção de marca que queremos transmitir?
Em algumas ocasiões a resposta será uma garrafa ou uma esferográfica, enquanto noutras será um localizador ou uma powerbank sem fios. Deste modo, as empresas garantem que o seu merchandising se adequa ao público a que se destina. Afinal, não é esse o objetivo de qualquer campanha?